A Polícia Federal prendeu 18 pessoas na manhã desta terça-feira na Operação Alvará, feita na região de Niterói. O objetivo principal, segundo a PF, era a prisão do suposto banqueiro de jogo do bicho, Wilson Vieira Alves, conhecido como Moisés, presidente da Escola de Samba Unidos Vila Isabel. No total, a PF apreendeu R$ 380 mil na operação.
Entre os presos, estão sete policiais militares - dentre eles, um major - e um policial civil. O major é apontado como responsável por vender informações privilegiadas de operações da PM do Rio de Janeiro para apreender caça-níqueis.
Segundo o delegado que comandou as investigações em Niterói, Marcos Aurélio Costa de Lima, alguns policiais envolvidos no esquema "pediam informações, outros pressionavam os comerciantes para a troca do selo das maquias caça-níqueis", afirmou. O delegado ainda disse que Wilson Vieira Alves seria "o cara" do esquema.
Os selos, de onde foi tirado o nome da operação, serviam como uma espécie de alvará, e eram distribuídos aos "maquineiros" por escritórios que estavam sob o comando de Wilson Vieira Alves. Os selos deveriam ser trocados mensalmente para provar que o "maquineiro" estava em dia com a banca.
Para o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Ângelo Fernandes Gioia, "o envolvimento de policiais foi crucial para o sucesso deste esquema". Sobre a prisão do presidente da escola de samba, ele afirmou que "é o momento de se repensar a participação destes grupos em grandes eventos como o Carnaval, e não esquecer que são criminosos organizados".
Dos R$ 380 mil apreendidos pela PF, R$ 42 mil estavam na casa do banqueiro de bicho Moises e R$ 99 mil na casa do "maquineiro" conhecido como Alfredinho. Na casa dele também foi apreendida uma pistola calibre 22.
Segundo o superintendente Ângelo Fernandes Gioia, "a operação não termina hoje". As investigações ainda apontam que o presidente da Unidos de Vila Isabel tinha envolvimentos com outros chefes de esquemas de caça-níqueis.

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